Poesia, música em piano e fotografia. Tudo assim: muito simples, que simples é muito melhor.

Simplicidade acima de tudo

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O que se escreve

Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Chegou e fitou-a, sério. Fechou a porta atrás de si e aproximou-se.

Ela corou e tentou disfarçar o sorriso. Em vão. Pediu-lhe que se sentasse a seu lado e ele assim o fez.

Estavam sentados, cada um numa das pontas do sofá. O filme que passava na televisão, na tarde daquele sábado invernoso, era despercebidamente ignorado por ambos, que se iam, sorrateiramente, aproximando um do outro, trocando uns cúmplices olhares, até ficarem lado a lado, bem juntos.

Ele pegou-lhe na mão e disse-lhe, sussurrando ao seu ouvido:

-Olá, princesa...

 

 

 

Nota: Texto escrito a 13-02-2009.

Pedro Simão Mendes às 23:41

Quarta-feira, 09 de Setembro de 2009

Olho para o espelho polido

Que no quarto vazio está.

O meu rosto não é o meu.

Nem o passado, nem o presente.

 

Aquilo que faço, aquilo que vivo,

Aquilo que sou: não o reconheço.

O tempo passa, a água corre

E escorre...

 

Não me reconheço em mim,

Pois em mim não estou.

Sou vazio, como este quarto cheio;

Preenchido de nadas, com falta de tudos.                      Foto tirada a 28-09-2007, em Braga

 

Sem rumo,

Sem futuro,

Sou assim:

Ausente.

 

 

Nota: Escrito a 19-07-2009, este poema segue as linhas cronológica e temática de Espelho Passado.


Sexta-feira, 04 de Setembro de 2009

O tempo pára. Olho para trás.

O que fiz, o que fui, o que vivi,

Tudo ténue como uma névoa matinal,

Tão longe e, contudo, tão perto,

Reflecte-se em mim como a noite escura.

E o que fui, o que fiz e o que vivi

Volta a mim, voando dali para aqui,

Onde o tempo parou e, onde me encontro agora,

Volta palpável como a água, e sinto-me certo

Que se não vai embora...

Eu, num parque infantil em Braga, a 23-05-2008

Foto tirada por Cátia Graça

 

Nota: Poema escrito a 18-01-2009, faz parte de uma espécie de "trio" de poemas - Espelho passado, Espelho presente e Espelho futuro. O passado, por mais que não queiramos, volta-nos sempre à mente, uma vez por outra.

Pedro Simão Mendes às 10:10